novela de:
IGOR FONSECA
Direção de:
MARCELO DELPKIN
MIGUEL RODRIGUES
Núcleo:
DNA TV
CAPÍTULO 25:
“NEM TÃO INOCENTE”
2020 –
DNATV
No
Ar
o
que nos une
16
- Violência, Sexo, Linguagem e Drogas
Capítulo
25
Nem
tão Inocente
Cena
01 - Praia/Dia - Ao som de Eternamente
Em
uma praia com águas limpas e azuis, Cassiano levanta sua filha Valentina nos
braços. Ela estica suas mãos, sentindo como se estivesse voando.
Cassiano
sorri, vendo ela sentir um friozinho na barriga.
Cassiano:
Você gosta de voar ?
Valentina:
Sim. Eu sou uma fada!
Cassiano:
Ah, é uma fada ? Fadas voam em alta velocidade também! - Brinca, a rodando pelo
ar.
Valentina
grita, dando risada.
Valentina:
Para, pai! Faz frio na barriga!
Ele
a desce. Os dois se olham. Cassiano passa a ponta de seu dedo na areia molhada
e em seguida coloca no nariz dela.
Cassiano:
Agora tá parecendo uma porquinha!
Valentina:
Então o senhor é o porcão. Porque é o meu pai!
Cassiano
começa a rir da resposta dela.
Cassiano:
Ah, é, é ? - Diz, espetando a barriga dela.
Valentina
tenta se esconder das cócegas.
Valentina:
Paraaaa! (risos).
Cassiano
fica quieto e a encara por alguns segundos.
Valentina:
Que foi, pai ?
Cassiano:
Um anjo me disse essa noite que você vai ter uma vida longa e feliz, sabia ?
Valentina:
Um anjo ?
Cassiano:
Sim. Você tem dúvidas ? - Diz, beijando a mão dela.
Valentina:
Tenho não. Eu sou uma criança de sorte por ser sua filha. Te amo, pai!
Cassiano
se emociona e a abraça.
O
sol ilumina os dois, como se abençoasse aquele momento.
Ás
águas do mar vêm e vão, molhando os pés de ambos.
A
imagem aérea mostra os abraços naquele lugar que parecia o paraíso. Mas o que
ninguém nunca contou, é que o paraíso na terra, não existe.
02
- Barzinho/Noite - Ao som de Tudo OK
Ariel
dança sensualmente com suas amigas em frente ao bar. Animada, ela desce até o
chão se entregando totalmente ao som da música que toca. Ravi, com seus
colegas, a observa no canto do bar.
Flávio,
seu amigo, chega lhe entregando algumas notas de 100. Discretamente, Ravi
entrega na mão dele um pacote com drogas.
Flávio:
Nem vou conferir. Confio em você!
Ravi:
E você seria louco em desconfiar ?
Flávio
sorri e olha para o pacote.
Ravi:
Agora vaza. Vai, circula! Se me pegam você sabe o tratamento que os meus caras
vão te dar!
Flávio
guarda as drogas em sua roupa e sai olhando para os lados. Ravi volta sua
atenção para Ariel e vai balançando seu corpo de acordo com a música.
Ariel
pega um copo de cerveja e vira na boca em uma golada só.
Ravi
olha para as pernas da moça, que dança com uma roupa extremamente curta. Ele
chega atrás dela.
Ela
percebe e sorri, e passa a dançar olhando para ele.
Ravi
a encara, gostando, com um copo de cerveja em mãos.
Cena
03 - Igreja/Noite
Cassiano,
de terno e com a bíblia na mão, está com sua filha Valentina na igreja. Os dois
assistem atentamente à missa, ouvindo cada palavra e cada conselho do padre.
Enquanto
algumas crianças ficam inquietas e fazem bagunças no local, Valentina é a única
que se comporta e presta atenção na leitura da bíblia. Cassiano olha de canto
de olho e dá um leve sorriso, orgulhoso.
Cena
04 - Estrada Deserta - Tarde - Ao som de música incidental 'Deserto'
O
sol brilha forte no céu. Ravi dirige pelas estradas de barro do sertão, com
Flávio ao seu lado.
Flávio:
Tudo certo então para a gente acertar o pagamento semana que vem ?
Ravi
continua prestando atenção na estrada e responde seco.
Ravi:
É a quarta vez que você não me paga.
Flávio:
Qual, é ? Eu não sou um desconhecido. Vou pagar tudo o que eu devo. Relaxa aí!
Ravi:
Por isso mesmo que eu estou calmo. Eu sei que vai!
Flávio
dá um sorriso, pensando em enganá-lo mais uma vez.
De
propósito, Ravi passa por cima de um pedaço de pau no canto da estrada e para o
carro.
Flávio:
O que aconteceu ?
Ravi:
Acho que furou o pneu de trás! - Diz, segurando com força o volante e com o
olhar frio, fixo em frente.
Flávio:
Que merda!
Ravi:
Você poderia pegar as ferramentas no porta malas ?
Flávio:
Tem um carro como esse e não sabe nem arrumar um probleminha de nada. Imagina
se não fosse eu aqui e agora ?
Ravi
olha para ele.
Ravi:
Não consigo não imaginar!
Flávio
sorri, e sai do carro distraído.
Ele
olha para os pneus.
Ravi
o olha pelo retrovisor.
Flávio
estranha não ter nenhum furado, e chega até atrás do carro, olhando todos os
lados dos pneus.
Flávio:
Eu acho que está normal, tenta andar aí!
Ravi:
Claro.
Ravi
dá a partida e anda alguns metros, se distanciando de Flávio.
Na
estrada, Flávio tenta enxergar em meio á poeira que se forma e ao sol quente
sem sombras.
Flávio:
Viu ? Tá normal. Só não me deixe aqui!
Ravi
o olha novamente pelo retrovisor, e sem hesitar dá a ré, indo com tudo para
cima dele.
Flávio
fica sem reação ao ver o carro em toda velocidade vindo em sua direção.
Ravi
passa por cima dele violentamente com o carro. Ele olha para a frente e vê
Flávio caído no chão. Ravi fica parado por alguns segundos.
Ravi:
Eu falei que você ia pagar! - Diz, acendendo um cigarro. Ravi o coloca na boca
e assopra a fumaça, que vai se dissipando pelo ar, enquanto encara o corpo.
No
chão, Flávio está morto com os olhos abertos. Sua cabeça está em uma pequena
poça de sangue.
Tudo
fica escuro.
Cena
05 - Hospital - Quarto - Ao som de Amores Distantes - Rodolpho Rebuzzi e André
Sperling
Ariel
está com Lara no colo, que mama pela primeira vez. Ravi entra no quarto, sem
jeito, e tenta ver o rosto de sua filha pela primeira vez.
Ariel
percebe e sorri. - Quer vê-la ?
Ravi:
É tão pequena...
Ariel:
Claro, bobo. Acabou de nascer!
Ravi
se aproxima. Ariel afasta com cuidado Lara de seu corpo, tornando seu rosto
visível para a câmera e para Ravi.
Ravi
se comove ao vê-la. Sua filha, um pedaço dele que tomou forma. Tão pequena e
tão frágil.
Ravi
deixa cair uma lágrima.
Ravi:
Minha filha ?
Ariel
dá risada do jeito atrapalhado dele.
Ariel:
Sua filha, nossa filha!
Ravi:
É tão linda!
Em
câmera lenta, Lara dá o seu primeiro sorriso banguela, ainda com os olhinhos
fechados.
Ariel:
Ela é um milagre. Que veio para mudar não só a minha vida, mas a sua também. Os
pais vivem para os filhos, e você será o espelho dela agora!
Ravi
sente algo mágico crescer dentro dele e uma vontade imensa de mudar e tentar
ser alguém melhor, ao ver a perfeição que gerou com a mulher que ama. Ele se
ajoelha ao lado da cama, sentindo o cheirinho de bebê, e beija Ariel com amor.
A imagem dos três ali naquele quarto de hospital vai lentamente ficando
distante, ficando fixo na tela por alguns minutos.
Cena
06 - Casarão de Cassiano - Noite - Ao som de música incidental 'Escuridão'
No
presente, Cassiano anda até a porta com a sua arma em punhos.
Isabela
aguarda ansiosa na porta.
No
porão, Lara puxa com mais força o seu braço, tentando afrouxar o nó ainda mais.
Cassiano
para em frente à porta, segurando forte sua arma.
Ele
olha para o trinco, hesitando em abrir, mas acaba abrindo, dando de cara com
Isabela. Os dois se encaram. Ela se assusta ao vê-lo armado.
Na
varanda, sentindo fortes dores de cabeça devido aos flashs em sua visão, Ravi
acaba desmaiando e cai na grama.
Isabela:
Cassiano ? Porque você está com essa arma ?
Cassiano
a deixa cair no chão, e finge estar se sentindo mal.
Ela
olha para a arma e sem seguida para ele.
Cassiano:
Eu me assustei. Alguém vindo aqui a essa hora... Diz, se encostando na porta
simulando uma tontura.
Isabela
estranha mas o ouve falar.
Cassiano:
Me desculpa por ter te recebido assim. Mas um homem nas minhas condições.
Doente e sozinho nessa casa... Aliás, como descobriu onde moro ?
Isabela:
Eu te segui. O meu namorado acha que você pode ter alguma coisa a ver com o
desaparecimento da filha dele!
Cassiano:
Aquele rapaz daquele dia na praia ?
Isabela:
Esse mesmo!
Cassiano
dá um leve sorriso irônico: - Olhe para mim. Para a minha situação. Doente,
completamente desprotegido... A minha arma está no chão, você pode pegar se
quiser. Pegue, entre, reviste a minha casa.
Isabela
o encara, sem jeito.
Cassiano:
Eu só sou um homem solitário com pouco tempo de vida. Desculpe, sei que seu
namorado está desesperado por respostas, quem não estaria. Mas eu não sou essa
pessoa. Não sei de onde ele pode ter tirado isso!
Isabela:
Desculpe, eu...
Cassiano:
Não, eu não desculpo. Eu faço questão que você entre e reviste a minha casa
cômodo por cômodo! Eu jamais fui acusado de alguma coisa na minha vida, e não é
agora doente que eu vou ser!
Isabela:
Me desculpa. Eu estou me sentindo uma ridícula, você tem razão... Acho que o
Ravi possa estar apenas desorientado mesmo, a filha é a única coisa que ele
tem!
Cassiano
a olha e não consegue conter um leve sorriso de satisfação ao saber do
desespero dele.
Cassiano:
Eu entendo. Imagino como possa ser essa dor. Mas se você quiser eu estou
disponível para ajudar nas buscas, agora quero ser o primeiro a encontrar.
Dentro das minhas limitações, claro.
Isabela:
Ai, me desculpa, mesmo. Eu não sei como pude chegar a esse ponto, mas é que vi
um casal de meia idade aqui mais cedo, e...
Cassiano
se irrita ao lembrar de Silvio e Evódia.
Cassiano:
Ah, claro. São os vizinhos mais próximos. Vieram me trazer alguns remédios,
pois não posso sair. Minha imunidade está cada vez mais baixa! - Mente.
Lara
se debate no chão do porão, tentando se soltar. Ela se esperneia fazendo força
para desamarrar suas mãos. O nó forte deixa seu pulso ruxo e com alguns
pequenos cortes.
Isabela:
Pegue a sua arma. É a sua única proteção aqui! E eu não vou olhar nada aí
dentro. Já passei vergonha o suficiente por hoje!
Cassiano
fica satisfeito, mas continua com seu teatro de que está se sentindo mal.
Cassiano:
Eu te chamaria para comer alguma coisa... Mas é que preciso descansar um pouco!
Isabela:
Claro. Mas uma vez, me desculpa!
Cassiano
sorri para ela e se despede, e em seguida fecha a porta. Ele olha para o nada,
com ódio.
Isabela
sai pela varanda e se assusta ao ver Ravi no chão, com pequenos espasmos. Ela
se abaixa até ele, nervosa.
Ravi:
Me ajuda... - Sussura.
Ao
som de música incidental 'Suspense'
Cassiano:
Então quer dizer que você está desesperado atrás da sua filha. Pois você nunca
vai achá-la. Nunca! A mesma dor que eu senti você também vai sentir só que
pior, porque nem corpo vai ter para poder se despedir e enterrar! - Diz à si
mesmo, com rancor. Em seguida, Cassiano olha em direção ao porão. Ele se abaixa
e pega a sua arma.
Isabela
arrasta Ravi até o seu carro, com os braços dele apoiados em seu ombro. Ela o
coloca no banco traseiro, e em seguida entra e fecha a porta.
Ela
o olha, desesperada.
Isabela:
E agora, o que eu faço, o que eu faço ? Eu te roubei do hospital!
Ravi:
Lara... Lara... Salva... A minha filha!
Isabela
olha para ele, sem reação. No banco traseiro, Ravi encosta sua cabeça no vidro
do carro, soando e delirando de febre.
Imagem
de Ravi congela em um efeito preto e branco.
Se
encerra em Deu Onda - MC G15
"Silvio:
O seu nome era bem falado no sub mundo noturno, se é que me entende... Que
você, digamos... Deixa eu procurar uma expressão melhor. Sabia como eliminar as
pedras em que aparecia no sapato de alguém!
Ravi:
Eu fiz coisas em que eu não me orgulho... Mas eu nunca matei ninguém!"
o que nos
une
Continua.
2020 - DNA
TV


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