14 - Violência, Sexo, Linguagem e
Drogas
O QUE NOS UNE
Capítulo 47 (Capítulo
Final) – Apocalipse
novela de Igor
Fonseca
Cena 01 - Apartamento de Bento - Sala - Noite - Ao
som de música incidental 'Triste'
Felipe: Então, Bento. É o que você realmente quer ? Ficar comigo
? É isso que o seu coração pede ?
Bento fica sem saber o que dizer.
Bento: Eu tô tão confuso. Eu já não sei mais o que eu quero! O
homem centrado e objetivo que eu era antes... É como se eu não fosse mais!
Felipe aperta a mão dele.
Bento: Mas e você, quer ficar comigo ?
Felipe abaixa a cabeça, pensando no que dizer, e se afasta um
pouco.
Felipe: Quando eu me
aproximei de você... Eu estava com o coração partido por tudo o que estava a
acontecendo na minha vida. E eu te encontrei. Encontrei não, você estava lá o
tempo todo. E a gente compartilhava das mesmas dores! Você em relação ao
Rodrigo, eu perdendo as esperanças do Moisés acordar do coma, ainda que talvez
isso não justifique... Mas eu acredito que foi isso. Foi um momento de fraqueza
de nós dois!
Bento o observa falar.
Felipe: Nos amamos mesmo. Mas eu acho que é apenas como primos.
E confundimos isso! Porque quem amamos de verdade, não está aqui agora!
Bento: Fale por você. A minha história com o Rodrigo já acabou
faz tempo!
Felipe: Será mesmo ?
Bento: Que amor é esse que só trouxe desgraça e tragédia, e que
quase acaba com a vida de várias pessoas ao redor ? Nada de bom poderia sair
disso. Em relação ao Rodrigo eu estou superando dia após dia. Mas com você eu
sinto um carinho diferente... Mas eu não sei dizer com certeza se realmente é
amor carnal!
Felipe: Aí é que está. Se fosse mesmo, você saberia. O seu
coração ia saber! - Afirma, tocando no peito dele.
Os dois dão um sorriso de cumplicidade um para o outro, e
entrelaçam suas mãos uma na outra.
Felipe encosta sua testa na testa de Bento, e os dois fecham
seus olhos, ficando assim por alguns instantes.
Felipe: Eu sempre vou te amar. Verdadeiramente. Mas de outra
forma! Agora eu preciso ir atrás do grande amor da minha vida. Tentar conseguir
o perdão dele... Porque o que eu fiz foi a maior sacanagem!
Bento se emociona, e sorri, ao mesmo tempo que deixa cair
algumas lágrimas.
Bento: Vai. Vai atrás da sua felicidade. Você merece! - Afirma,
se afastando e dando um beijo na testa dele.
Felipe: Mas e você ?
Bento: Talvez o meu destino seja ficar sozinho! Eu vou viajar,
estudar, correr atrás do tempo perdido. Tentar resgatar o que ainda sobrou da
minha carreira médica. Se é que sobrou algo. E assim vou vivendo!
Felipe: Boa sorte pra você!
Bento: Pra nós!
Felipe e Bento se encaram, sorrindo, e não conseguem evitar um
grande abraço apertado.
Cena 02 - Delegacia - Noite - Ao som de música
incidental 'Escuridão'
Vicente: Mas o que está acontecendo aqui ?
Isabela: Fomos sequestrados pelo Cassiano! Ele precisa ser
detido imediatamente! - Fala, cansada e quase sem voz.
Vicente aperta seus punhos.
Correa: Quem é Cassiano ?
Vicente: Aquele cidadão estranho de quem eu havia lhe falado.
Mas agora ele foi longe demais, brincou com fogo. Mexer com a irmã de um
policial como eu ?
Ravi se sente mal, e Isabela o ajuda.
Vicente se aproxima dela.
Vicente: Você tá bem, o que é isso no seu braço ?
Isabela: Não é nada, vocês não podem perder tempo. Eles não
sabem que estamos aqui, é o momento certo para encurralar e os prender! São uma
quadrilha, tem mais um senhor e uma mulher. Silvio e Evódia o nome deles!
Vicente pega seu distintivo e coloca seu colete.
Vicente: Correa... É agora ou nunca! - Afirma, enquanto aperta
sua arma na cintura. Os dois reúnem alguns policiais para uma operação
relâmpago.
Cena 03 - Casa de Campo - Noite - Ao som de
'November' - Max Richter
Cesar passeia em seu luxuoso barco equipado com primeiro andar e
uma mini piscina. Um pequeno poste na proa ilumina a noite escura e fria. Com
dificuldade, o veterano médico empurra o saco com o corpo de Davi e o joga na
água. O saco afunda rapidamente. Um pouco de sangue vaza dele, se dissolvendo
pela imensidão das águas, até desaparecer para sempre na escuridão do fundo do
mar.
Agora sentado na popa da embarcação, o veterano médico observa
as águas que vão ficando para trás, e com elas a evidência de seu trágico
crime. Ele fecha seus olhos.
"César: Ele bebeu bastante e insistiu para dar
uma volta no barco. Ficou admirado pois era o seu sonho andar em um como esse.
Mas eu deveria ter pulso forte. Eu não devia ter deixado, alguma coisa dentro
de mim estava me dizendo... Pouco depois eu ouvi um barulho, quando eu subi
para ver o que era. Ele não estava mais lá. Caiu e se afogou de uma forma
que... Não deu tempo nem gritar. Simplismente afogou. Estava tão escuro e frio.
Eu não ouvi, eu não o vi mais... - Revela, pausadamente, supostamente abalado e
com a voz trêmula."
Cesar abre seus olhos. Seu trajeto continua. Ao seu redor,
somente o barulho do motor da embarcação, nada mais além disso. A escuridão e
calma do mar predomina. Ele volta a imaginar.
"Com dificuldade, César fecha o saco e se levanta,
limpando o suor de seu rosto. Ele olha para o céu. O sol brilha intensamente.
Lá em cima, está o topo do precipício de onde Davi despencou para a morte.
César volta sua atenção para o chão. Como um saco lixo qualquer, o corpo do
jovem que um dia foi uma pessoa cheia de sonhos, medos, desejos e metas está
lá. Esperando para ser descartado. César olha para a terra aos seus pés, cheia
de sangue, e começa a recolhê-la com as mãos, tirando da visão de quem
supostamente possa analisar em busca de rastros."
"César chega em casa, acompanhando de uma
ambulância.
Teresa o recebe assustada. Ele a encara com os olhos
vermelhos e inchados, e balança a cabeça negativamente. Teresa fica incrédula,
totalmente sem reação, e aos poucos começa a ter um ataque de pânico. A câmera
vai se virando, dando um giro pela mansão, até chegar em um quadro com a foto
de Davi na grande estante de madeira. O quadro cai no chão e se quebra, mesmo
sem nenhuma corrente de ar."
Cesar leva uma garrafa de whisky até a boca e dá uma grande golada.
Em seguida ele lança a garrafa ao mar e limpa sua boca. Suas olheiras profundas
ficam em evidência em seu rosto. O dia vai amanhecendo lentamente, e o céu fica
em um tom azulado. César olha para as águas há poucos metros dele. A imensidão
do mar á sua volta e os mistérios que se escondem lá no fundo completamente
inexplorado, fazem com que o que ele fez parece pouco. Com um olhar mórbido,
ele nota ao longe a cidade, cada vez mais próxima. A embarcação balança para
cima e para baixo, de acordo com o movimento das ondas, ao passo que vai
chegando cada vez mais.
Cena 04 - Casarão de Cassiano - Noite - Ao som de
música incidental 'Medo'
Vicente chega com Correa e os demais policiais, e invadem o
casarão, que aparentemente está vazio. Eles vasculham cômodo por cômodo mas não
encontram nada.
Correa: Eles fugiram!
Vicente: Como era previsto! Mas não tem como terem ido longe!
Correa: Vou mandar bloquear todas as entradas e saídas agora
mesmo!
Vicente: Esse criminoso não pode fugir de novo. Não agora, que a
minha família está em risco!
Correa: E não vai! - Afirma, segurando sua arma.
Subitamente, outro policial entra na casa, com notícias.
Policial: Achamos um corpo na estradinha!
Correa: De quem ?
Policial: Dentro de um carro. Pelo modelo informado é o carro do
cidadão procurado, Cassiano. Mas não foi possível identificar o corpo, estava
carbonizado!
Vicente se surpreende e olha para Correa.
Vicente: Será que...
Correa: Vamos aguardar a resposta do IML!
Policial: E não é só isso. Localizamos a filha do Ravi perdida
no centro!
Vicente se surpreende mais ainda, e sorri.
Vicente: Nem tudo está perdido! - Afirma, se sentindo feliz com
a notícia.
Correa: E a sua mulher ?
Vicente fica pálido ao se lembrar de Lorena, pois disse que
voltava logo e por conta da operação policial de emergência acabou se
atrasando.
Vicente: Lorena!
Cena - 05 - Apartamento de Vicente - Escadaria -
Noite
Lorena está caída no chão, com os ombros encostados na parede,
após ter caído da escada. Em trabalho de parto, ela tenta colocar cada vez mais
forças, mas fica cada vez mais cansada.
Lorena: Meu filho... Falta pouco, vamos! - Diz, com as pernas
abertas.
Ela tenta recuperar seu fôlego e chora, completamente sozinha e
machucada.
Lorena empurra sua barriga e mais uma vez coloca força, e dá um
grito ao sentir uma forte contração como se a rasgasse toda por dentro.
Ao som de Amores Distantes - Rodolpho Rebuzzi e
André Sperling
Em câmera lenta Vicente desce as escadas, olhando assustado para
ela no chão.
A luz na parede atrás dele o ilumina todo, como se fosse um anjo
que mais uma vez aparecia no momento certo para salvá-la.
Lorena começa a chorar ao vê-lo e fecha seus olhos. Vicente vai
até ela e se ajoelha, passando a mão em sua barriga e apertando a mão dela,
transmitindo conforto e segurança.
Vicente: Eu tô aqui meu amor. Eu tô aqui! - Diz, com a voz suave
e serena.
Vicente: Quando a contração vier... Você coloca toda força que
conseguir. Para nosso filho vir e conhecer o mundo! - Fala, emocionado.
Os dois, caídos no chão, se abraçam. Ele beija a testa dela.
Lorena se sente segura e com isso junta uma coragem que não
sabia que tinha mais uma vez faz uma grande força.
Vicente: Isso... Tá quase. Mais uma vez!
Lorena coloca força de novo e sente uma dor inimaginável. Ela dá
um grito alto e quase desmaia, cansada e sem forças. Um choro de bebê se ouve.
Vicente começa a chorar.
Lorena tenta levantar sua cabeça, e sua vista embaça diante das
lágrimas. Ela vê Vicente com uma criança nos braços. Vicente não sabe se ri ou
se chora, completamente bobo e atrapalhado.
Vicente: É uma menina!
Lorena cai no choro, diante da forte emoção.
Vicente vai mais pra perto dela e com cuidado coloca a menina
nos braços da mãe.
Lorena vê pela primeira vez o rosto da sua filha, que chora alto
mostrando sua banguela.
Vicente: É tão linda... Tão pequena... Tão gordinha... - Fala,
rindo.
Lorena: Nossa filha! Meu amor, nossa filha. A gente conseguiu.
Nós conseguimos!
Vicente vai até Lorena e a beija. Os dois encostam a testa um no
outro.
Lorena: Luz... Vai ser Luz o nome dela. Em homenagem ao momento
que eu te vi descendo por essas escadas. Você é o meu porto seguro!
Vicente a beija novamente e em seguida eles ficam olhando para
Luz, que aos poucos se acalma e se remexe no colo de Lorena. Tão pequena e ao
mesmo tempo com aparência tão saudável. Lorena pega a mãozinha dela, cheirando
e beijando. A imagem dos três vai se distanciando lentamente. O som de uma
sirene se escuta ao longe.
Cena 06 - Ao som de Partidas e Reecontros -
Alexandre Guerra
O dia amanhece cinza e nublado. Rodrigo toma café da manhã em
uma lanchonete, sozinho no canto de uma mesa. Ao seu lado, a parede de vidro
mostra o Hospital Venceslau do outro lado da calçada.
Rodrigo se entristece ao se lembrar que os seus melhores dias
ele passou lá, e também os piores.
Ele leva um xícara de café até a boca, com a mente longe.
Em sua mesa, um envelope repousa contendo alguns currículos
dentro.
Bento corre pela areia da praia, com seus fones de ouvido. A
brisa fria beija o seu corpo.
As águas do mar vêm e vão, em uma temperatura congelante por
conta do frio.
Bento para um pouco para descansar e encosta o braço em uma
árvore palmeira, recuperando o fôlego.
Embora tente ocupar a cabeça, o médico não consegue evitar de
pensar no rumo que está prestes a dar em sua vida. O que é ao certo, nem ele
mesmo sabe. Bento se distrai lendo uma mensagem de uma empresa aérea, e mostra
uma certa dúvida em seu olhar. O céu começa a trovejar indicando uma forte
tempestade a caminho.
Cena 07 - Shopping
Uma forte tempestade começa a cair, junto a algumas pequenas
pedras de gelo. Uma ventania toma conta da cidade inteira. Ás árvores se
balançam violentamente.
Todo molhado, Rodrigo corre apressado até principal shopping da
cidade. A porta automática se abre e ele entra, indo em direção ao elevador.
Ao som de I Put A Spell On You - Annie Lennox
Rodrigo aperta o botão e entra, se tremendo de frio e pingando
água do seu corpo inteiro. Ele espirra e tenta se aquecer juntando seus braços
contra seu corpo.
Rodrigo: Meu Deus, tomara que não tenha molhado o meu currículo!
A porta do elevador começa a se fechar, mas uma pessoa a abre
novamente com o braço.
A câmera se aproxima do rosto de Rodrigo, que parece paralisado
com o que vê.
Todo molhado, Bento entra no elevador, que se fecha. O médico
também se espanta ao ver Rodrigo.
Os dois ficam parados, um de frente para o outro. Em câmera lenta, eles se encaram, sem conseguir
desviar o olhar um do outro. Como se estivessem hipnotizados, ou como se o
tempo ao redor deles tivesse parado.
FLASH BACK
"A chuva não dá trégua.
Um carro passa ao lado dele de Rodrigo e para. A
pessoa abre a janela.
Bento: Entra aí!
Rodrigo o olha, surpreso.
Bento: Vai logo, você tá todo molhado!
Orgulhoso, Rodrigo é ríspido: Não, obrigado. O meu
ônibus já está vindo.
Bento: Que ônibus o que! Eles pararam de circular há
horas! Entra aí, eu te levo!
Tremendo de frio, Rodrigo mantém sua palavra. -
Prefiro ficar na chuva!
Bento se irrita: Não me faça ir aí!
Rodrigo finge não ouvir e sai andando.
Bento soca o banco, irado, e sai em meio a chuva. Em
questão de segundos, também fica com sua roupa branca toda encharcada.
Bento o puxa pelo braço.
Os dois discutem em meio a chuva forte, na rua
vazia.
Rodrigo: Me solta!
Bento: Qual é a tua ? O que tem contra mim ?
Rodrigo: Além do fato de você ser arrogante e achar
que pode mandar em mim o tempo todo ?
Bento: Então entra nessa porcaria de carro agora.
Senão eu vou te mostrar que eu sou arrogante mesmo e te coloco a força! -
Esbraveja, firmemente e olhando nos olhos dele, sabendo impor ordem quando
quer.
A água escorre pelo rosto de Rodrigo, que recua sem
desviar o olhar."
Rodrigo acorda de seu transe e abaixa a cabeça, se encostando no
canto do elevador com os braços cruzados, tentando se aquecer.
Bento continua olhando para ele, como se quisesse dizer algo.
Mas o silêncio também falava.
O elevador vai subindo os andares.
Cena 08 - Hospital Venceslau - Manhã - Ao som de
música incidental 'Maldades'
Álvaro anda pelos corredores do hospital, que está quase vazio
em um movimento de pacientes baixo. Ele se dirige até a sala presidencial e
entra, fechando a porta.
Álvaro se dirige até a mesa de César e se senta na confortável
poltrona, esticando seus pés.
Álvaro: Isso aqui tudo um dia vai ser meu, pai. Nem que pra isso
eu precise matar todos os seus filhos para que você me reconheça! - Afirma, com
rancor nos olhos.
Álvaro: E porque não agora ? - Se questiona, fora de si.
Sonia entra na sala e tranca a porta.
Álvaro: O que está fazendo ? Quem te deu ordens para entrar aqui
?
Sonia: E quem te deu ordens para entrar aqui ?
Álvaro se levanta e a encara.
Álvaro: A diferença de mim pra você é que eu sou o filho do
dono! Eu sou o filho do todo poderoso César! EU! Isso tudo vai ser meu!
Sonia: Cala a boca, fala baixo. Alguém pode ouvir!
Álvaro: E do que você tem medo ? Que descubram que você foi
amante dele no passado ? E que por conta dessa relação eu nasci ? Você não acha
que eu mereça o devido reconhecimento ? Ele nem sabe que eu sou filho dele! Eu
tenho direitos sobre tudo isso aqui, e não o songa monga do Bento!
Sonia: Não fale assim, meu filho. Eu errei tanto com você.
Tanto!
Álvaro a escuta falar.
Sonia: E por conta disso você cresceu assim, reprimido. Cheio de
ódio e rancor no coração. Mas ainda tá em tempo de concertar tudo isso!
Álvaro: Tarde demais. Eu tenho vigiado meu pai e meus irmãos
todo esse tempo, com várias câmeras infiltraldas naquela mansão. Tudo de ruim
que acontece com eles... Foi eu quem planejei!
FLASH BACK
"Álvaro: Tudo isso aqui está incrível.
Parabéns, Doutor César!
César: Aqui é só César, por favor!
Álvaro sorri: Como o senhor preferir!
Isabela, Teresa, César, Álvaro e Davi se reúnem nas
cadeiras brancas luxuosas no jardim para assistirem o pedido de casamento de
Vicente no helicóptero para Lorena.
Lorena: Eu fico tímida toda vez que vejo!
Isabela: Besteira. Queria toda mulher ter um pedido
desses!
Álvaro as observa.
Enquanto os demais estão sentados, Lorena está em pé
ao lado do telão junto com Vicente, que procura o slide para mostrar.
Vicente: Achei. Com vocês, o maior e mais feliz
momento da minha vida!
Todos sorriem, ansiosos. Álvaro principalmente.
Vicente clica no vídeo e em vez de assistir olha
para a reação da sua família, alegre. Lorena logo tira o sorriso de seu rosto.
Vários slides se abrem com reportagens do assassinato de Cícero, fotos de
procurada de Lorena com seu antigo nome e visual e imagens de seus documentos
verdadeiros são escancaradas na tela para quem quiser ver.
César: Que brincadeira é essa ?
Lorena começa a sentir falta de ar, nervosa. Teresa
e Isabela se olham, sem entender. Davi olha para as imagens, sem acreditar.
Álvaro não mostra nenhum espanto. Vicente estranha a expressão de todos e olha
para a tela ao seu lado, se surpreendendo com o que vê. Em câmera lenta, as
lágrimas de Lorena descem por seu rosto. Vicente olha para a foto de Lorena nas
reportagens policiais e em seguida olha para ela, sem reação alguma."
"Cesar: O meu sobrinho de consideração Davi
passa o dia com ela, acho que ele não a deixa ficar triste. São bons amigos!
Álvaro: Ah, amigos. Que bom!
Cesar: Não entendi o seu tom.
Álvaro: Ah, apenas difícil ver uma amizade bacana
entre um homem e uma mulher nos dias de hoje. É de se admirar!
Cesar concorda com ele.
Álvaro: Mas aquele rapaz é muito novinho e está na
flor da idade, é bom sempre ficar de olho.
Cesar: Como assim ?
Álvaro: A maioria dos homens na idade dele não tem
maturidade alguma. E mesmo sendo seu sobrinho... Mas a Dona Teresa é uma mulher
muito atraente, se me permite dizer. É sempre bom observar!"
Ao som de música incidental 'Suspense'
"De repente, o celular de César começa a
vibrar. Ele se afasta de Álvaro e pega o aparelho de cima da mesa.
Cesar desbloqueia seu celular e vê várias mensagens
depreciativas de números desconhecidos o chamando de corno chifrudo, entre
outras ofensas.
Cesar: Mas o que significa isso ? - Se pergunta,
afrouxando sua gravata, sentindo falta de ar."
"No meio da madrugada Rodrigo acorda e a primeira
coisa que lhe veio a mente foi na transa que tivera há horas atrás. Se levantou
e ficou vendo Bento dormir como uma criança, num sono tão tranqüilo. Apenas de
cueca e com a cabeça fervilhando, Rodrigo foi até a sacada e ficou admirando o
céu, as montanhas, vendo a neblina cobrindo a serra e lentamente suas idéias
foram se aquietando.
Rodrigo sentia uma satisfação tão grande, era como
se todos seus medos e receios tivessem desaparecido como um toque de mágica e
que agora sim ele via uma nova chance de ser feliz de verdade.
Em cima da estante próximo à cama, um ursinho emite
uma pequena e quase microscópica luz dentro do olho direito. Trata-se de uma
câmera disfarçada..."
"Bento: VOCÊ PROVOU QUE NÃO TEM LIMITES. AGORA
VOCÊ FOI LONGE DEMAIS!
Rodrigo: Como assim ? - Pergunta, assustado.
Bento: Ah, vai fingir que não sabe ? Tudo bem, vou
entrar no seu jogo! Olha esse vídeo aqui que você publicou! - Diz, mostrando a
tela do seu celular pra ele.
Na tela, o vídeo íntimo da noite de amor deles dois
é mostrado, explicitamente todo o ato daquela noite, e milhares de comentários
depreciativos são ditos logo abaixo do vídeo á todo segundo, criticando o
conteúdo postado.
Rodrigo fica pálido ao ver o vídeo em seu Facebook,
como se fosse ele quem havia postado, e olha para Bento sem saber o que dizer.
Uma extrema carga de tensão toma conta do seu corpo.
Bento: Eu não tenho palavras pra descrever tudo o
que eu tô sentindo por você...
Rodrigo: Bento, você tem que acreditar em mim. Pelo
amor de Deus, eu estou tão surpreso quanto você! Eu não sei quem postou isso!
Bento aperta ainda mais o braço dele.
Bento: Mentira! Mentira! Até quando você vai ficar
mentindo ? O que você ganha com isso ? Porque você está fazendo isso ? Você não
tem limites!"
Álvaro: Foi eu. O tempo todo. Eu estava me vingando á minha
maneira. Se eu nunca pude ser feliz, os meus irmãos que nunca me notaram também
não iriam ser!
Sonia: Você está doente. Eles nem sabem sobre você. Ninguém
sabe. Ninguém tem culpa!
Álvaro: Quando tudo isso for meu, vão saber!
Sonia: Mesmo que essa sua ideia der certo, a herança do seu pai
será dividida entre todas as partes!
Álvaro: Não se acontecer algo com eles! - Diz, em um tom
ameaçador.
Sonia se mostra preocupada.
Sonia: "Eu vou arrumar uma forma de concertar tudo isso!
Pelo menos o Bento estará protegido com essa viagem anônima que eu arrumei pra
ele!" - Pensa, nervosa.
Álvaro volta a se sentar na poltrona, se mostrando satisfeito e
cheio de planos para o futuro.
Cena 09 - Shopping
O elevador continua subindo até o andar final do shopping.
Encostado no canto, Rodrigo continua fingindo não notar para
Bento, que fica no outro canto também calado. De repente, o elevador começa a
tremer e dá um forte movimento para baixo, fazendo as luzes se apagarem. O
elevador para. As luzes de emergência se acendem.
Rodrigo se desespera e começa a bater na porta.
Bento tenta forçar a porta, sem sucesso.
Rodrigo anda de um lado para o outro, nervoso.
Rodrigo: Eu não acredito nisso, não pode ser verdade. De novo
não!
Bento o encara, sem entender.
Rodrigo começa a sufocar, em um início de ataque de pânico.
Bento: De novo ?
Rodrigo: De novo essa mesma sensação de ficar preso,
trancafiado. Em um lugar pequeno e frio... Como aquele presídio! Eu não tô
conseguindo respirar! - Desabafa, com a respiração fora de ordem e extremamente
agitado.
Ao som de Largado às Traças - Zé Neto e Cristiano
Bento fica pensativo por alguns instantes e o puxa para um
abraço, o envolvendo em seus braços sem deixá-lo escapar.
Rodrigo se assusta: O que está fazendo ?
Bento: Shiii... Tá tudo bem. Foi apenas uma queda de energia, em
alguns minutos volta ao normal. É comum!
Rodrigo sente o calor do corpo dele, o seu cheiro, o seu toque.
E sente uma sensação indescritível que não sentia há meses, após tanto tempo
separado de Bento.
Rodrigo pensa em se afastar, mas não é o que ele quer.
Bento: Apenas escute a minha voz. Você tá tremendo! Respire
devagar para poupar o ar aqui dentro enquanto nos aquecemos!
Rodrigo nada diz, e apenas curte o momento, mesmo que não saiba.
Bento sente as batidas do coração dele, e sente sua pele quente
sob a dele.
Bento: O que fazia aqui ?
Rodrigo: Estava em busca de um emprego. Recomeçar a vida. E você
?
Bento: Recebi uma mensagem de uma companhia aérea dizendo que eu
ganhei uma viagem. Olha só que ironia. Férias é o que eu mais preciso agora!
Rodrigo se afasta.
Os dois se olham nos olhos.
Rodrigo: Que bom. Você merece! Assim vamos tentado recomeçar
nossas vidas!
Bento: Verdade! - Diz, olhando para a boca dele.
Rodrigo se arrepia todo com o olhar apaixonado de Bento.
De repente, a luz volta, e após alguns segundos a porta também
se abre.
Bento: Eu não falei que seria rápido ?
Rodrigo: "Pra mim durou horas, enquanto eu estava protegido
em seus braços!" - Pensa, enquanto olha para ele. Era como se o amor que
eles sempre sentiram um pelo outro se acendesse cada vez mais forte toda vez em
que se encontravam.
Rodrigo: Foi. Você falou!
Os dois se olham sem graça.
Bento: Bom, então é isso... Talvez não nos encontremos mais. Não
sei o que me aguarda nessa viagem!
Rodrigo: Seja muito feliz. Você mecere!
Bento: Você também!
A vontade que ambos tinham era de correr para os braços um do
outro, mas esse forte desejo ficava apenas adormecido em seus corações.
Bento sai do elevador. Rodrigo continua.
Rodrigo: Eu desço no próximo!
Bento: Então é isso... Adeus!
Eles se olham uma última vez. Em câmera lenta, a porta vai se
fechando. Uma despedida rápida e seca, após a grande história de amor que eles
viveram. Era assim que se acabava ? Um sentimento de perda e de vazio consumia
o coração de Rodrigo, que segura suas lágrimas enquanto olha para o ícone dos
andares subindo acima dele. Parado em meio ao salão comercial do shopping,
Bento encara o elevador. E dá um sorriso de canto ao se lembrar de tudo o que
viveu.
Bento: E assim se acaba... - Diz a si mesmo, se sentindo
estranho.
Cena 10 - Ao som de Lonely Boy - The Black Keys
Imagens aéreas mostram o mar azul do litoral de São Paulo, dando
giros velozes pelas paisagens - O avião sobrevoa os arranha céus da cidade,
mostrando a beleza dos edifícios - Os carros vêm e vão - Os dias se passam
Cena 11 - Praia - Manhã - Ao som de You're Somebody
Else - Flora Cash
Com um longo vestido de noiva, e um véu semi-transparente,
Lorena anda com César até Vicente, que a aguarda em um altar improvisado á
beira das águas.
Ele fica fascinado com a beleza dela naquele vestido, e como se
estivesse hipnotizado não desvia o olhar nem por um segundo daquela que em
alguns minutos será oficialmente a sua mulher.
Teresa sorri, feliz por seu filho. Bento assiste a cerimônia, ao
lado de Isabela, Ravi e Lara.
Lorena chega até Vicente e o olha nos olhos. Os reflexos do sol
tornam aquele momento ainda mais mágico.
Com ternura, Vicente tira o véu dela e dá um selinho demorado,
arrancando aplausos de todos à sua volta. Eles apertam a mão um do outro e
olham para os convidados, sorrindo.
No colo de Isabela, Luz também sorri, com um sorrisinho gostoso
e sem dentes. E assim, esse é apenas o início de uma grande e verdadeira
história de amor que passou por todo o tipo de provação para poder enfim se
concretizar.
Lorena sai de mãos dadas com Vicente pelo altar, enquanto os
demais convidados jogam arroz.
Cena 12 - Praia - Manhã - Ao som de Medo Bobo -
Rubel
Ravi anda com Isabela pela beira da água, se distanciando dos
demais convidados.
Ravi: Em breve somos nós...
Isabela: Espero que esse seu breve seja realmente o mais breve
possível!
Ravi: Te amo tanto! Você não se arrepende mesmo após eu ter te
contado tudo ?
Isabela: Pelo contrário. Eu fico ainda mais admirada com a sua
coragem e por tudo o que enfrentou sozinho com a sua filha. E isso me deixa
ainda mais apaixonada por você!
Ravi: Como será que o seu irmão vai reagir quando souber que eu
sou foragido ?
Isabela: Confia em mim. Ele vai entender. Afinal a Lorena também
era!
Ravi tenta se animar e olha para os lados, preocupado e
procurando por Lara.
Isabela percebe: - Fica calmo. Ela está com a minha mãe. O
Vicente está aqui, nada de mal vai nos acontecer. Você sabe que ele é osso
duro!
Ravi: Impossível eu ficar bem sabendo que o Cassiano está solto
por aí! - Diz, observado sua filha brincando com Luz ao lado de Teresa e César.
Isabela o abraça, confortando-o.
Isabela: Vai ficar tudo bem! - Afirma.
Eles se beijam, apaixonados.
Ao longe, alguém os observa com o binóculo de uma arma pesada,
mirando no peito de Ravi. A pessoa desce o dedo em direção ao gatilho.
Cena 13 - Delegacia - Manhã
Um policial chega com o laudo do IML e coloca a pasta em cima da
mesa de Correa.
Correa: O que é isso ?
Policial: O laudo do corpo que foi achado no carro do Cassiano.
Não era dele. Era de uma mulher!
Correa fica nervoso e se levanta imediatamente.
Correa: Então se não era dele... A família do Vicente está
correndo perigo!
O policial e Correa se olham, preocupados.
Correa: O Cassiano está á solto como eu imaginava. O Vicente
pode estar em perigo, temos que avisar á ele!
Policial: Mas hoje é o casamento dele!
Correa: Não importa. Temos que ficar em alerta. Ficar de vigia
nas proximidades, vigiar 24hs por dia a casa da família dele até determos esse
meliante. Eu não vou me perdoar se algo de ruim acontecer ao meu amigo!
Policial: Acho que não é ao Vicente que ele quer... E sim ao
Ravi!
Cena 14 - Praia - Manhã - Ao som de Spring Waltz -
Chopin
Ravi brinca de pega pega com sua filha Lara pela beira da água,
na parte mais rasa que tem. Isabela se junta na brincadeira e corre atrás
deles, jogando água em ambos.
Ravi: Ah, é guerra ? - Diz, jogando água com os pés nela.
Isabela: Tô nem aí, meu vestido já está todo molhado mesmo.
Trouxa! - Diz, jogando água e correndo.
Ravi: Eu vou te mostrar quem é trouxa, vem filha! Vamos pegar
ela!
Como uma família, os três brincam e correm um atrás do outro,
felizes como há muito tempo não eram.
Lara sente uma emoção muito grande ao enfim ter sua figura
paterna ao seu lado, após todas as dificuldades que enfrentaram. Ravi sorri,
com o sol iluminando o seu rosto.
De repente, um tiro acerta próximo ao peito de Ravi.
Imediatamente, sangue escorre pelo seu paletó branco.
Longe dali, em um carro com os vidros abertos, Cassiano sorri.
Cassiano: Dessa vez eu te peguei! - Diz, jogando sua arma no
banco ao seu lado e acelerando com o carro.
Ravi cai ajoelhado em meio ás águas, que respingam sob à câmera.
A imagem fica sem som. Isabela grita assustada e Lara sacode seu pai,
completamente desesperada, chorando e gritando. Seu sangue se mistura com a
água do mar, sendo levado pelas ondas. Ravi cai nos braços de Isabela, que
chora sem saber o que fazer, e lentamente vai fechando os seus olhos. A imagem
do sol acima dele vai ficando cada vez mais escura.
Cena 15 - Praça - Manhã - Ao som de Sorry - Halsey
Moisés está sentado em sua cadeira de rodas, com um pequeno
lenço sob o seu colo para se aquecer daquela tarde fria. Com um olhar distante,
ele observa o laguinho há alguns metros dele, com várias crianças brincando
distante.
Felipe o vê de longe e sente seu coração partido ao se deparar
com a nova condição física de seu amado. Ele se aproxima aos poucos.
Felipe: Oi...
Moisés apenas o comprimenta com o olhar.
Felipe: Eu sei que você tem todos os motivos do mundo para estar
puto da vida comigo. E o que eu fiz foi muito errado. Mas não importa o você
diga. Não importa a raiva que você sinta. Eu sei que você ainda me ama!
Moisés o observa falar.
Felipe: Então, por favor. Não vamos mais perder tempo! Casa
comigo! - Diz, se ajoelhado e tirando uma pequena caixinha do bolso.
Moisés: Você ficou louco ? Tá todo mundo olhando!
Felipe: Que se dane! O tempo não para, e se não aproveitarmos o
hoje amanhã só restará a saudade. Para que ficarmos separados se nos amamos e
nos queremos á todo instante!
Moisés se surpreende com a atitude dele.
Moisés: Mas... Olha só pra mim! Eu estou preso á essa cadeira!
Felipe: E isso só me faz te amar ainda mais. Essa é a prova de
que eu te amo, eu quero enfrentar tudo com você! Seremos nós dois contra o
mundo se for preciso!
Moisés não contém o choro, emocionado.
Felipe: Você ainda não me respondeu. Quer ser o meu esposo ?
Para sempre!
Moisés faz que sim com a cabeça, chorando. Felipe sorri e o
abraça apertado, beijando sua cabeça. As pessoas que se juntaram ao redor
filmam e batem palmas, ovacionando.
Cena 16 - Hospital Venceslau - Tarde - Ala pública -
Ao som de música incidental 'Humilhação'
Em um quarto com vários leitos compartilhados em péssimo estado
de higiene, está Nicole.
Deitada na cama, com as duas pernas amputadas e sem uma das
mãos, ela está suja, extremamente magra, abatida e com os olhos fundos.
Uma enfermeira chega para alimentá-la.
Nicole mal consegue levantar sua cabeça, de tanta fraqueza.
Enfermeira: Vai, levanta logo sua indigente! Hoje eu tô sem
paciência! Se você engasgar que nem ontem vai morrer sufocada porque eu não tô
nem aí, é uma a menos pra me dar trabalho! - Diz, pegando ela pelo cabelo e
forçando para que ela fique sentada na cama.
Nicole não exibe nenhuma reação, mas seus olhos mostram o
sofrimento sem limites que ela está passando.
A enfermeira pega o prato, com uma papinha esverdeada e fria de
legumes, e enfia na boca dela com força.
Nicole quase se engasga e cospe um pouco, se sujando toda.
A enfermeira dá um tapa na cabeça dela.
Enfermeira: Vai, inútil. Come que eu não tenho o dia todo não! -
Diz, enfiando mais duas colheradas na boca dela.
Nicole tosse e olha para a janela há alguns metros dela, onde o
sol parece brilhar lá fora, e se pergunta mentalmente se algum dia seu
sofrimento terá fim.
Cena 17 - Supermercado - Tarde
Rodrigo passa alguns alimentos no caixa, atento ao monitor para
ver até onde o seu pouco dinheiro vai dar.
Moça: Deu 30 reais!
Rodrigo olha para o pão, arroz, feijão, leite e um pacote de
bolacha e pensa no que vai deixar já que está com apenas 25,00.
Os clientes atrás dele o olha, impacientes.
Envergonhado, Rodrigo se decide.
Rodrigo: Tira a bolacha e o leite, por favor...
Maria: Não precisa. Eu pago por ele! - Diz, entrando no
supermercado empurrando Paulo em uma cadeira de rodas.
Rodrigo olha surpreendido para sua mãe após tanto tempo, e em
seguida olha para o seu pai, que está com uma parte do corpo paralisado devido
ao AVC.
Um silêncio constrangedor toma conta do ambiente. Após tanto
tempo, ele finalmente estava cara a cara com a pessoa que lhe deu a vida, mas
que lhe fez tanto mal e que agira parece arrependida.
Maria não consegue olhar para ele.
Maria: Guarde o seu dinheiro pra uma precisão maior. Eu pago por
você! - Diz, esticando seu dinheiro para a moça do caixa.
Paulo olha para Rodrigo, sem o reconhecer direito devido ao
Alzheimer em estado inicial.
Ao som de música incidental 'Funeral'
Rodrigo anda com Maria em Paulo segurando a sua sacola com as
suas pequenas comprinhas. Eles param em um banco de uma praça e se sentam.
Maria acomoda Paulo na cadeia.
Maria: Quer uma água, meu veio ?
Paulo faz que não com a cabeça, e parece não estar ali.
Maria: Ás vezes ele fica consciente, ás vezes não.
Rodrigo: A consciência dele deve estar em um lugar bem melhor do
que aqui.
Maria: Eu tento acreditar nisso! - Diz, olhando para baixo,
ainda evitando olhar para seu filho.
Rodrigo: Obrigado pelas compras. Eu estava precisando, não está
sendo fácil. Faz tempo que não consigo nem um bico!
Maria: Quando quiser ir comer lá em casa pode ir. Não tem luxo,
mas fome pelo menos não vai passar!
Rodrigo: Mãe...
Maria: O que ? - Responde, fingindo arrumar o cinto de Paulo.
Muitas palavras estão presas na garganta de ambos.
Rodrigo: Pode olhar para mim. Eu te perdôo! Esqueça tudo o que
passou, porque é o que eu tô tentando fazer!
Maria continua olhando para baixo. Suas lágrimas caem no chão.
Rodrigo levanta a cabeça dela.
Rodrigo: Eu te perdôo!
Maria começa a chorar copiosamente, soluçando e botando tudo pra
fora. Rodrigo também chora.
Rodrigo: Me abraça ? Eu preciso sentir o cheirinho de mãe, tenho
tanta saudade!
Maria o abraça com toda força de seu corpo, se acabando de
chorar.
Maria: Meu filho... O que eu fiz com você não tem perdão!
Rodrigo: Esquece isso. Porque eu já esqueci! Quero viajar em
paz!
Maria: Viajar ?
Rodrigo: Eu recebi uma ligação ontem dizendo que meu número foi
sorteado e que eu ganhei uma viagem de férias com tudo pago... Eu achei meio
estranho no começo mas depois vi que era real. Minha sorte pode estar mudando,
quem sabe eu não consiga um emprego ?
Maria: Eu vou rezar muito pra isso! - Diz, o abraçando
novamente.
Rodrigo olha para pai, que por um momento faz um ar de riso,
parecendo o reconhecer.
Cena 18 - Cemitério - Manhã
Teresa está em pé em frente ao túmulo de Davi. Em silêncio, ela
encara a lápide, estampada com sua foto sorridente e seu olhar penetrante,
característica que era mais marcante nele. Com uma mão, ela segura seu guarda
chuva preto, e com a outra um maço de rosas brancas. Seu rosto está com uma
expressão triste e com cara de choro, e seus pensamentos estão longes.
Ao som de Velha Infância - Tribalistas
FLASH BACK
"Teresa está sentada à beira da piscina lendo
uma revista enquanto toma sol.
César e Davi descem do carro, conversando animados.
Davi olha para o sol, que brilha forte no céu.
César: Já se acostume com o calor da baixada. É mais
quente que o litoral!
Davi sorri: - Isso é o de menos!
César vê Teresa ao longe e a chama.
Teresa abaixa a revista olha em direção à ele.
Em câmera lenta, Davi vê Teresa pela primeira vez.
Os dois se olham, encantados um pelo outro. Os olhos claros do rapaz se
iluminam enquanto eles se veem. A câmera se aproxima lentamente, dando close no
rosto dos dois.
Teresa se levanta.
Davi não consegue tirar os olhos dela e observa cada
detalhe de seu corpo e de seu rosto.
César: Esse é Davi, o rapaz de quem eu te
falei!"
"Ao abrir a porta do quarto, Teresa dá de cara
com Davi parado, a encarando.
Teresa: Ai, que susto!
Davi: Desculpa. Estranhei você ter sumido, vim ver
se estava tudo bem!
Teresa: Ah, sim. Tá tudo bem, só vim retocar a
maquiagem!
Davi: Pra que isso se você é linda de todo jeito ? -
Pergunta, a olhando nos olhos.
Teresa fica constrangida e se cala. Um silêncio
paira no ar.
Teresa: Bom... Vamos ?
Davi: Espera. - Diz, segurando no braço dela. Teresa
o olha, curiosa.
Davi: Acho que o zíper da sua blusa está um pouco
aberto atrás. Eu fecho pra você! - Diz, indo atrás dela e colocando suas mãos
quentes e fortes no ombro dela.
Teresa fecha seus olhos, o sentindo.
Teresa: Eu me arrumei com pressa... Acho que não
percebi.
Davi passa seus dedos suavemente pelas costas
desnudas dela.
Davi: Que absurdo. Se eu tivesse uma mulher como a
senhora... Trataria com todo o carinho e atenção do mundo. Como uma rainha! Se
me permite. Desculpe a intromissão!
Teresa sente seu coração bater mais forte.
Teresa: Você não sabe o que diz, garoto!
Davi aperta o ombro dela, e sente o cheiro de seu
pescoço. Teresa relaxa com o toque dele, embora gente disfarçar."
"Teresa anda pela cozinha, completamente na
penumbra, iluminada apenas pela luz da lua que vem das enormes janelas de
vidro.
Davi chega atrás dela somente de cueca, a abraçando
por trás.
Teresa se assusta e o empurra.
Teresa: Você ficou maluco ?
Davi: Você me deixa louco! - Diz no ouvido dela,
enquanto tira sua cueca, ficando pelado enquanto a aperta contra seu corpo.
Teresa: O Vicente ou a Isabela podem chegar a
qualquer momento, você está completamente fora de si! Já pensou se eles chegam
e te pegam aq...
Davi a cala com um beijo intenso, enquanto puxa o
cabelo dela com força para trás, e vai descendo para pescoço, onde beija e
chupa com força.
Teresa tenta se soltar, mas não faz força nenhuma
para isso e se deixa levar.
Eles andam pela cozinha, se beijando e se amando,
esbarrando nos móveis e nas panelas, que caem no chão.
Davi joga tudo o que tem em cima da mesa no chão e a
coloca em cima de pernas abertas.
Teresa: Você tá maluco, quem vai limpar tudo isso...
Davi: Você me mata de tesão! - Cochicha nos ouvidos
dela. Teresa sente seu corpo inteiro se arrepiar e aperta o pano da mesa,
ardendo de desejo."
Teresa se ajoelha em meio a grama, sem se importar com a
situação e perdendo completamente a pose, ela começa a chorar enquanto abraça a
lápide.
Teresa: Eu prometo, meu amor... Que a sua morte não terá sido em
vão. Eu vou descobrir o que realmente aconteceu. E se for o que eu acho, eu
farei justiça! - Afirma, enquanto olha para a foto dele. A imagem vai se
distanciando, e em câmera lenta fica fixa na tela por alguns segundos.
Cena 19 - Hospital Venceslau - Manhã - Ao som de
música incidental 'Eternamente'
A câmera adentra o hospital. A imagem está escurecida, em um tom
frio de azul, sem vida.
Cassiano entra no quarto de Ravi e tranca a porta. Ele olha para
o seu grande rival, deitado na cama em estado crítico, e se aproxima, tirando
uma seringa de seu paletó.
Ravi acorda, agitado, como se soubesse o que estava por vir.
Como se de alguma forma aguardasse aquele momento. Ele entra em pânico ao ver
Cassiano. Seus batimentos cardíacos se aceleram.
Cassiano: Calma. Eu vim acabar com isso de uma vez por todas! -
Afirma, batendo a ponta do dedo na seringa, e em seguida enfiando a agulha no
soro dele.
Ravi assiste a tudo horrorizado, sem forças para gritar.
Cassiano: O final dessa história não poderia ser outro. Eu quis
que fosse diferente, mas não deu.
Ravi: Porque ? - Pergunta, chorando e vendo que não há mais
volta, e que sua morte é questão de apenas minutos.
Cassiano: Então você realmente não se lembra.
FLASH BACK
"Cassiano ora para alguns fiéis em sua pequena
igreja evangélica no meio do sertão. Sua mulher Ariel prepara alguns quitutes
na pequena cozinha para depois do culto enquanto cantarola algumas músicas,
feliz. A filha deles, Valentina, brinca com suas amigas do lado de fora da
igreja.
Sophia, um pouco menor do que ela, vai para o meio
da estrada, atrás de sua bola.
Valentina: Sai daí, lembra do que os nossos pais
falaram! - Diz, indo atrás dela.
Sophia: Mas a minha bola caiu ali!
Valentina: Eu pego! - Diz, andando pela estrada
atrás do brinquedo.
Pela janela da igrejinha, Cassiano vê a cena.
Ravi dirige bêbado pelas estradas do sertão, e o
álcool parece o deixar cego diante da estrada à sua frente. Ele acelera ainda
mais o seu fusca verde enquanto joga a garrafa para fora da janela.
Valentina se abaixa para pegar a bola e vê o veículo
vindo.
Ravi começa a andar em zigue zague e perde o
controle do carro.
Valentina fica paralisada ao ver o fusca vindo com
tudo em sua direção.
Sophia grita. Ravi freia. A câmera dá um close em
seu rosto, soado e assustado. As batidas de seu coração se ouvem. Ravi dá a ré
e sai com o carro rapidamente, mais uma vez em alta velocidade, sem se dar
conta do que aconteceu. Cassiano sai correndo da igreja e se ajoelha com a cena
que vê, completamente desesperado."
Cassiano: Nenhum pai merecia ver a própria filha naquele estado.
Nenhum! Eu poderia muito bem ter feito o mesmo com a Lara. Mas eu não quis. Eu
te poupei dessa dor, porque o meu assunto é com você e ela não merecia morrer
daquela forma!
Ravi: Como... Como você me achou ?
Cassiano: Fusca verde... Não tem como esquecer. Eu não sosseguei
enquanto não investiguei todos os donos de um fusca verde da região. Até chegar
a conclusão de que você era o assassino. O assassino da minha filha!
Ravi chora.
Cassiano também chora.
Cassiano: Eu queria que você se lembrasse! Eu queria que
sentisse na pele a dor que eu senti, e que eu sinto todos os dias quando
acordo. Mas a verdade é que eu não tenho coragem de fazer o mesmo que você fez
comigo. Eu não tenho coragem de machucar a sua filha! E eu estaria me
enganando. Sim, eu estaria me enganando. Não é a ela que eu quero. É você! -
Diz, consumido pelo rancor e entre as lágrimas.
Ravi faz uma expressão de dor, com o medicamento letal começando
a surtir efeito.
Cassiano se aproxima de Ravi e fica cara a cara com ele, no seu
leito de morte.
Ravi olha aterrorizado para ele.
O nariz de ambos chegam a encostar um no outro de tão próximo
que fica.
Cassiano: Sua vida acabou naquele momento. Eu aproximei a Ariel
de você sem que ela soubesse que você era o assassino da própria filha dela. Porque
eu queria que a história se repetisse. E bom, não se repetiu da forma como eu
esperava. Mas o que importa é que agora sim eu me sinto em paz!
As lágrimas e baba de Cassiano caem sobre o rosto de Ravi que vai ficando cada vez mais sem fôlego.
Ravi: La... Lara!
Cassiano encosta sua testa na testa dele e em seguida se
levanta, se recompondo. Ele limpa o seu rosto e vai até a porta.
Atrás dele, Ravi agoniza, se contorcendo de dor e sufocado. Ao
seu lado, na cômoda, está um retrato de Lara, que sorri alegre.
Cassiano sai do quarto e anda calmamente pelos corredores. Ele
passa por Ariel, vestida de enfermeira. Os dois trocam olhares. Ela se dirige
até o quarto de Ravi. Cassiano chega até o final de um corredor sem saída. Sem
dificuldade, ele abre a janela.
Ariel abre a porta do quarto de Ravi.
Cassiano sobe na janela e se pendura no parapeito no sétimo
andar, e olha lá para baixo.
No chão, Valentina sorri para ele, toda de branco.
Cassiano fecha os seus olhos, e uma última lágrima cai de seu
rosto. Ele sorri e se joga do parapeito.
Cassiano bate com as costas em algumas janelas dos andares de
baixo, quebrando sua coluna instantaneamente e cai violentamente de cara pro
chão. Um pedaço de sua coluna sai pra fora, junto à alguns ossos de seu joelho,
que ficam expostos. Uma poça de sangue se forma ao redor de sua cabeça, ao lado
de dentes e massa encefálica. Ele fecha os seus olhos, para nunca mais abrir.
A imagem de seu corpo caído no chão vai se distanciando
lentamente, enquanto alguns curiosos e paramédicos formam uma multidão ao
redor.
Ravi, deitado na cama, já não respira mais. Seus olhos estão
estáticos para o lado, em direção à fotografia de Lara.
Tudo fica escuro.
Cena 20 - Aeroporto - Manhã - Ao som de música
incidental 'Thriller'
Álvaro anda pelo aeroporto, bem arrumado e com uma maleta em
mãos. Ele entra em uma sala, e se encontra com o funcionário responsável para bagagem
dos passageiros.
Álvaro: Pensou no que eu te disse ?
Funcionário: Isso é muito arriscado. Não quero ser o responsável
pela morte de centenas de pessoas!
Álvaro: Arriscado o cacete! O explosivo não será detectado na
inspeção pois será colocado depois, tarefa dada á você! Simplismente vão achar
que o avião explodiu por falhas técnicas. E você, meu amigo, ficará podre de
rico!
Álvaro joga a maleta na mesa e a abre, exibindo milhões de reais
em dinheiro vivo.
Álvaro: Isso é só uma amostra grátis. Obviamente não trouxe mais
para não levantar suspeitas, o restante eu transfiro diretamente para a sua
conta!
O funcionário olha, tentado pela enorme quantidade de dinheiro,
mas recua.
Álvaro: O que foi ? Não quer ficar rico ?
O vôo de Bento chega. Ele anda com seu carrinho pelo aeroporto,
em direção à ponte que liga até a entrada do avião. Muitos pensamentos passam
em sua cabeça e por um momento ele pensa em desistir. O médico não consegue
evitar pensar em Rodrigo, embora ainda tente acreditar que não o ama mais.
FLASH BACK
"Rodrigo: Ando com um pressentimento meio ruim.
Mas eu só queria que você soubesse que eu te amo, e sempre vou te amar, não
importa o que aconteça. Eu nunca vou te esquecer! - Diz, entre lágrimas.
Bento se assusta: Isso tá parecendo uma despedida!
Você nunca vai precisar me esquecer, porque eu sempre estarei ao seu lado.
Sempre. Te amando e te apoiando, até mesmo nos momentos difíceis como esse!
Rodrigo chora ainda mais, deprimido e o beija. Um
beijo desesperado e com gosto de choro.
Rodrigo: Nunca me esqueça...
Bento esfrega sua barba no rosto dele com carinho, e
os dois encostam o nariz um no outro."
Bento: "Coragem. Eu preciso seguir em frente. Mesmo que
essa dor pareça não ter fim agora!" - Pensa, erguendo a cabeça e seguindo
em frente. Ele mostra seus documentos e entra no avião, procurando sua
poltrona, e em seguida se senta. Há alguns metros dele, está Rodrigo. Sentado
com a cabeça encostada na janela. Ambos sem notarem a presença um do outro com
destino ao mesmo lugar. Rodrigo olha para a paisagem lá fora, e não consegue
evitar a sensação que sente o tempo todo de que algo vai acontecer. Só não sabe
se é algo bom ou ruim...
Cena 21 - Aeroporto - Manhã
Após algumas horas de vôo, o avião ultrapassa as nuvens
velozmente, voando sobre o imenso mar abaixo dele, que mesmo visto de tão alto
parece não ter fim.
Bento lê um livro, distraído, enquanto bebe um cappuccino.
Rodrigo, adormecido com a cabeça na janela, está com uma
expressão serena e parece sonhar com algo bom. A tranquilidade e silêncio reina
por todo o avião, onde só é possível se ouvir o leve barulho das turbinas.
No bagageiro, uma pequena bomba infiltrada em uma das malas de
Bento entra em seus segundos finais.
Do lado de fora do avião, uma pequena explosão danifica parte da
traseira do avião, que começa a perder o controle. O piloto se desespera e
tenta fazer o possível para evitar uma queda. O avião se aproxima cada vez mais
da água, e o fogo que começa baixo vai se espalhando.
Cena 22 - Praia - Manhã - Ao som de Nossa Canção -
Roberto Carlos
De terno branco, Moisés e Felipe entram na igreja. Com cuidado e
todo o carinho do mundo, Felipe direciona a cadeia de rodas de seu amado até o
altar.
Marcio acompanha a tudo, feliz por seu irmão.
Felipe olha apaixonado para Moisés, e os dois apertam a mão um
do outro.
Moisés coloca sua aliança no dedo de Felipe, que ao pegar a
aliança para colocar nele esbarra em uma vela.
A vela cai em cima do pé de Moisés, queimado um pouco a sua
calça.
Felipe: Ai meu Deus, ai meu Deus! - Fala, desesperado, puxando o
pano da mesa do altar para apagar.
Padre: Calma, não foi nada!
Felipe: Ai que vergonha, eu sou um desastre! Quero enfiar minha
cara em um buraco de passar uma vergonha dessas no meu casamento!
Marcio se aproxima deles, dando risada.
Marcio: Calma, não é pra tanto!
Moisés faz uma cara de choro, e fica sem se mexer, como se
estivesse em choque.
Felipe: Ôh, meu amor, você tá bem ? Você se machucou ?
Marcio olha para Felipe, que se dá conta do que acabou de falar.
Moisés começa a chorar.
Felipe: Pera aí... Você... Se machucou ? Você sentiu a
queimadura na sua perna ?
Moisés: Eu senti! - Responde, emocionado.
Moisés olha para suas pernas, fazendo força, e consegue mexer o
dedão.
Felipe vai até ele e o abraça forte, e em seguida dá um beijão
em sua boca.
Moisés retribui o beijo, com amor.
Felipe encerra com um selinho, e em seguida o abraça de novo.
Felipe: Você vai ficar bom! Eu te disse! E eu vou estar ao seu
lado nesse momento! - Fala, emocionado.
Moisés: Para sempre!
Felipe: Sempre!
Os dois se beijam novamente.
Cena 23 - Ilha Deserta - Tarde
Caído na água, Bento acorda tossindo e cuspindo água. Sua sua
pele inteira arde devido á exposição excessiva do sol e ao sal da água. Ele
tenta se levantar, tonto, e sente o seu corpo inteiro doer, com vários
ferimentos superficiais.
Bento tenta abrir seus olhos, sensíveis à claridade após tanto
tempo desacordado. O sol brilha com toda força e vigor acima dele, que dá de
cara com o que parece ser uma ilha á sua volta.
Bento se levanta, ainda tonto e mancando, e olha para o seu
redor. Sua roupa está toda rasgada. As pequenas ondas do mar quase o derrubam,
enquanto ele observa o local à sua volta, ainda totalmente em choque. Ele
procura por vestígios do avião ou outros sobreviventes, mas não acha nada até
onde consegue ver. Somente areia, coqueiros e uma mata há uma certa distância
dele.
Bento anda devagar, em busca de mais alguém que possa ter boiado
até ali, e começa a se desesperar. O sol brilha forte no céu.
Bento tropeça, sem forças, e cai no chão, ao lado de um coco
meio furado.
O médico sorri, com os lábios ressecados, e vira o coco na boca,
tomando a pouca água meio amarga que cai, tentando saciar a enorme sede que
sente.
Ele rasga um pedaço de sua camisa e amarra no ferimento em seu
joelho, e em seguida pega um pedaço de pau e se levanta, andando devagar, e
pensa em entrar na mata na esperança de achar algum riacho onde possa se manter
com o mínimo para sobrevivência.
Enquanto anda apoiado no galho, Bento vê a silhueta de uma
pessoa, mas o sol quente dificulta sua visão. Ele coloca a mão na testa,
tentando ver melhor. A pessoa se aproxima cada vez mais dele, como se fosse uma
miragem.
Bento esfrega seus olhos e fica sem acreditar no que vê.
Rodrigo, sem camisa e aparentemente em melhor estado que ele, se
aproxima e fica ali, em pé diante dele. Os dois se olham nos olhos.
Bento: Ro... Rodrigo ? - Diz, ainda sem acreditar.
Rodrigo, também espantado, o encara preocupado e ao mesmo tempo
com um olhar apaixonado.
Imagens aéreas dos dois vai se distanciando cada vez mais,
evidenciando a beleza daquela ilha isolada, não tão grande mas ao mesmo tempo
acolhedora. Será que toda essa situação abriria espaço para um novo recomeço ?
Somente o tempo dirá.
Imagem de Bento e Rodrigo congela em um efeito alaranjado.
Não Continua.
FIM
"Amor
é quando você tem todos os motivos para desistir de alguém, e mesmo assim não
desiste."
Se encerra em Largado às Traças - Zé Neto e
Cristiano
Violência
contra a Mulher Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres
Disque 180
Casos de
violência contra a Mulher.
Atendimento
24 horas.
Elenco de
Apoio
Correa
Formigão
Cícero
Amélia
Lívia
Sônia
Márcio
Alan
Orlando
2020 -
DNA TV


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