De Felhipe Silva
Episódio 20
O dia
Ultimo episodio
Tudo tinha
acontecido muito rápido, e eu não queria entender o motivo de tudo aquilo, mais
como um bom perdedor eu me recuei e aceitei a partida dela, me dirigir para a
sofá que meus amigos estavam, me sentei ao lado deles e desabei no ombro dos
dois, depois pegamos o carro e voltamos para casa, afinal eu não tinha mais
nada para ver ali.
- Sentimos muito pela partida dela Pietro, mais
acredite, você tentou.
- Tudo bem, e obrigado aos dois por não terem
me abandonado, sou grato.
Estávamos
quase chegando a San Jose, e eu apaguei dentro do carro e só acordei quando
estávamos entrando na rua da minha casa, a Gaby vinha levando o carro e o Lurck
vinha ao lado dela, e eu adormecido na banco de trás.
- Voce vai ficar bem?
Lurck me perguntou enquanto estávamos parados
em frente a minha casa.
- Claro que vou, é necessário conviver com
nossos pesadelos esqueceu?
Ele sorriu.
- Nos vemos amanhã para o baile de formatura?
Gaby perguntou.
- Não, eu não vou, mas aproveite o seu pá
romântica e aproveite a noite ao lado do seu Crush, o Lurck.
Disse.
- Credo Pietro.
- Vão continuar mentido para mim? E não vão
assumir que estão juntos?
Perguntei.
- Desculpa mano, se isso interferir em nossa
amizade eu não vou longe com isso.
- E nem eu.
Falaram.
- Relaxem galera, vocês se merecem, agora vão,
precisamos descansar.
Eles ligaram o carro e partiram
Eu
simplesmente me joguei na minha cama, mais não chorei, eu não sentir nada com
toda aquela realidade, e talvez fosse o que realmente me consumia, foi ai que
eu peguei meu celular e comecei a ver as mensagens trocadas com ela, e vir tudo
que foi feito e dito e todas as cenas veio à tona inclusive a do acidente, e
sentir um aperto no coração uma dor incontrolável e inestancável.
Foi
aí que eu percebi que precisava apagar, eu necessitava dormir, e se eu quisesse
fazer isso eu precisava pensar nos momentos bons ao lado dela, foi aí que me
veio o dia na montanha, o sol a luz e o beijo dela. Eu sorrir, e como uma
criança boba eu adormeci.
3 MESES DEPOIS
Já
se faz alguns meses que tudo acabou, ou melhor que tudo teve fim, e sim, eu sei
que vocês devem estar questionando se correu tudo bem e se eu superei a perda
dela, e de todo coração eu falo para vocês, eu não superei.
A
Gaby e o Lurck estão viajando a mais de dois meses, eu não conseguir sair da
cidade porem em todos os finais de semana eu faço a mesma trajetória rumo a
cidade de San Gonzalo, paro na comunidade de Jeruz e realizo uma ação social junto
a criançada, também virei doador de sangue e a cada 2 meses eu passei a
praticar esse abito, a doação é feita para o hemocentro da cidade de San
Gonzalo, eu sei que toda essa rotina poderia ser realizado na minha cidade,
mais existir um motivo maior por trás de tudo isso.
- Oi Estela? Hoje o dia foi corrido, a
criançada da comunidade tira toda a minha energia, eu sei eu que está sendo
puxado mais eu estou adorando essa ideia, e outra coisa, eu nunca pensei que
seria tão bom doar sangue, e eu estou orgulhoso de mim por saber que existe um
pouco de mim no corpo de muita gente.
E
lá estou eu sentado no cemitério Central da cidade em mais um final de domingo,
conversando com o tumulo da Estela, é como se algo me conduzisse até aquele
lugar em todo final de semana.
- Tenho que ir Estela, fique bem.
Eu
me levantei e me direcionei ao portão do cemitério, mais algo tirou a minha
concentração logo na saída.
Era
uma moça
Cabelo cacheado
Era ela.
A Estela.
Sair
correndo em direção a ela, me aproximei e falei.
- Estela?
Ela se virou.
- Pietro.
Ela disse.
- Como assim? Você tinha morrido...
- Não Pietro, a Bianca morreu, eu não.
- Mais como assim?
Ela olhava assustada de um lado para o outro.
- Eu vou te explicar, mais não aqui, venha
comigo.
Saímos
para o pátio do Hemocentro e sentamos em um banco.
- Mas como assim, está tudo confuso estela,
nosso beijo, a batida, a sua morte...
- Eu precisava ir Pietro, eu precisava sumir
por um tempo.
- Então fui tudo armado por você?
- Quase tudo, o acidente só me fez antecipar
tudo.
Estela
se levantou do banco, ela estava com um macacão folgado e com um sapatênis, e
uma mochila de costas, mais tirando essa roupa ela era a mesma.
- Eu precisava aproveitar a minha vida Pietro,
e não pensei que eu te usei como cobaia ou algo do tipo.
- Mas e o beijo Estela?
- O beijo significou muito para mim, é tanto
que foi ele quem me fez ver a necessidade de ir, de partir, e se eu contasse
para você ou para os outros vocês não iriam entender.
- Mas e o Brasão que você escreveu? Foi uma
pista para eu chegar até você?
- Não Pietro, não foi, aquele brasão é de uma
loja de roupas, e eu possuo uma manta com ele estampado, a manta dada por minha
mãe.
Estela tirou a manta de dentro da bolsa.
- Olhe, essa é a manta, e esse Brasão eu
desenho quando estou com medo de algo ou quando eu quero mostrar a minha força
através dele.
- E naquela madrugada, do que você teve medo?
- De sentir algo por você Pietro
Eu travei.
- Mas por qual motivo não queria sentir?
- Pietro, eu sou uma pessoa programada para
morrer, eu sei o quanto doeu perder minha mãe, e enquanto eu estiver longe das
pessoas para não machuca-las, melhor será para mim.
- Por isso criou uma morte falsa?
- Não, a morte não foi falsa, realmente a
Bianca existia, eu só fiz vocês pensarem que na verdade ela era eu, uma moça,
mesma idade, mesmo padrão social, e com a mesma doença.
- Mais porque tudo isso?
- Porque eu precisava antecipar a dor de você,
eu precisava que você concordasse com a ideia de que eu iria embora mais cedo
ou mais tarde.
- Se queria tanto ir, então o porquê veio falar
comigo.
Falei após me levantar e me aproximar dela.
- Eu precisava te entregar isso.
Estela me entregou um envelope.
- E depois dizer adeus.
Ela falou enquanto pegava a mochila.
Eu segurei a mão dela.
Ela olhou para mim.
- Vai mesmo me deixar?
Perguntei.
- Vou, preciso ser livre e feliz, e se a minha
felicidade estiver baseada em alguém eu nunca irei me acostumar com a ideia de
partir algum dia sabendo que fiz alguém infeliz aqui.
Eu encarei ela olhando em seus olhos.
- É isso mesmo que você quer Estela?
Perguntei.
- Sim, eu preciso ir.
Falou.
- Sabe o que eu aprendi com você?
- Não, o que aprendeu comigo Pietro?
- Eu aprendi que sangue não é a pior coisa do
mundo.
Ela sorriu.
- E aprendi também que amar é deixar o outro
ir, mesmo que o seu coração vá junto.
- Obrigado Pietro.
Ela soltou a minha mão, pegou a mochila, e saiu
no sentido do sol.
- Leia o Papel, gritou ela.
- Ta.
Falei.
E enquanto ela se distanciava eu lia o que
estava escrito.
QUANDO A GENTE VAI EMBORA
“A GENTE VAI EMBORA...
E fica tudo aí, os planos a longo
prazo e as tarefas de casa, as dívidas com o banco, as parcelas do carro novo
que a gente comprou para ter status.
A GENTE VAI EMBORA...
Sem sequer guardar as comidas na
geladeira, tudo apodrece, a roupa fica no varal.
A GENTE VAI EMBORA... s
E dissolve e some toda a importância
que pensávamos que tínhamos, a vida continua, as pessoas superam e seguem suas
rotinas normalmente.
A GENTE VAI EMBORA...
As brigas, as grosserias, a
impaciência, serviram para nos afastar de quem nos trazia felicidade e amor.
A GENTE VAI EMBORA...
E todos os grandes problemas que
achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, não existem
problemas. Os problemas moram dentro de nós. As coisas têm a energia que
colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos.
A GENTE VAI EMBORA...
E o mundo continua normal, como se a
nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença. Na verdade, não faz.
Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a morte anda
sempre à espreita.
A GENTE VAI EMBORA... pois é. É
bem assim: Piscou, a vida se vai... O cachorro é doado e se apega aos novos
donos.
Os viúvos se casam novamente, andam
de mãos dadas e vão ao cinema.
A GENTE VAI EMBORA...
E somos rapidamente substituídos no
cargo que ocupávamos na empresa. As coisas que sequer emprestávamos são doadas,
algumas jogadas fora. Quando menos se espera...
A GENTE VAI EMBORA.
Aliás, quem espera morrer? Se a gente
esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor. Talvez a gente colocasse
nossa melhor roupa hoje, talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço.
Talvez a gente esperasse menos dos outros...
Se a gente esperasse pela morte,
talvez perdoasse mais, risse mais, saísse à tarde para ver o mar, o pôr do sol,
talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro.
Quem sabe, a gente entendesse que não
vale a pena se entristecer com as coisas banais, ouvisse mais música e dançasse
mesmo sem saber.
O tempo voa. A partir do
momento que a gente nasce, começa a viagem veloz com destino ao fim - e ainda
há aqueles que vivem com pressa! Sem se dar o presente de reparar que
cada dia a mais é um dia a menos, porque...
A GENTE VAI EMBORA o tempo todo, aos
poucos e um pouco mais a cada segundo que passa.
O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO
TEMPO que lhe resta?!
Pietro por mais difícil que seja
aceitar...”A GENTE VAI EMBORA”
Estela Blood
Dobrei o papel em meu bolso, e observei ela através dos raios que
refletir do Sol, e percebi que deixar ela ir poderia ser a maior loucura que já
fiz, mais também se tornou a maior prova de amor que eu poderia ter dado a ela.
Fim


9 Comentários
Oi Felipe olha parabéns pelo o seu trabalho continua assim meu querido.😙
ResponderExcluirLinda história me emocionei muito😂😍❤
Voce não imagina a felicidade em ouvir isso, muito obrigado ❤️
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir#QueremosUmaNovaHistoria
ResponderExcluir😍😍😍
Excluir#QueremosUmaNovaHistoria
ResponderExcluir❤️😍😍
Excluir#QueremosUmaNovaHistoria
ResponderExcluir❤️😍😍
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